domingo, 24 de junho de 2007

Arraial

Este fim-de-semana tive a oportunidade de estar presente num arraial, não faltou nada, a sardinha, o chouriço, a bela da bifana, o entrecosto, aquele cheirinho da grelha, a música a animar o pessoal, acho que já dá para ver a ideia.
Mas o que me faz escrever sobre este arraial, é algo que pode ser indiferente a muitos, mas que a mim marcou de forma especial. Estava eu e o meu amigo Tiago de volta do barril de tinto, quando reparámos que estávamos num ponto duplamente fulcral, para além de ser o sítio de abastecimento, juntava-se ali uma pequena roda de homens que ainda de forma algo discreta cantavam músicas, a sua maioria tipicamente alentejanas. Nós entabulámos conversa e de pronto nos perguntaram se cantávamos alguma, o nosso reportório podia parecer escasso tendo em conta os nossos dignos interlocutores, mas decidimos cantar a nossa música de eleição, Cavalo Ruço. O resultado foi o melhor, depressa estávamos a ser acompanhados por todos os que compunham a roda e no fim fomos felicitados, mas, o melhor estava para vir. De certa forma a nossa humilde actuação deu o mote, e daí para a frente as canções sucederam-se, canções do nosso país cantadas com sentimento e aí, tenho de admitir que as lágrimas dançaram nos meus olhos ao ouvir aquela boa gente cantar, ainda cantámos mais uma ou duas, eu só acompanhava o Tiago e o Vieira que são bem mais conhecedores da arte, mas fiquei marcado por aquele aparentemente banal momento.
Foi muito bonito, tal como a festa em si, podem existir muitas festas por este mundo fora, mas melhores que as festas típicas de Portugal, não devem ser muitas...
P.S. - O.K. a noite não acabou bem, tenho de fazer este pequeno post scriptum antes que os corrosivos comentários o relembrem... mas foi uma grande noite!...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Surreal

Ora bem, este bólide que está apresentado na foto foi o meu primeiro carro, o primeiro que ficou em meu nome, adquiri o mesmo em 2001 e durante três anos deu-me várias alegrias e sempre se comportou bem. Em 2004 decidi partir para outra e dei o mesmo para retoma e comprei o meu actual carro.
Parece-me um procedimento simples e aparentemente pleno de legalidade. Talvez tenha descurado algum aspecto ao efectuar esta troca, talvez me tenha escapado algum documento, admito que não sei se foi o caso.
Mas esta minha relação com este carro estava longe de chegar ao fim quando nesse Agosto de 2004 procedi a esta troca. Mais de dois anos depois de o ter vendido, perto do final de 2006, uma pessoa deslocou-se à minha casa, e disse-me que tinha um assunto para resolver sobre o peugeot que eu tinha vendido. Com grande espanto, desci até à rua e pasme-se, os documentos estavam em meu nome... A pessoa estava claramente a agir de boa fé e queria que eu assinasse uma declaração de venda para poder legalizar o carro, pacientemente expliquei mais do que uma vez que apenas a Nacional Car, é este o nome da empresa onde esta marosca foi engendrada, podia solucionar o seu problema pois eu havia vendido o meu carro à mesma. Ele deslocou-se ao stand ao mesmo tempo que eu telefonei para lá, a mim disseram que eu não tinha que me preocupar, que a minha responsabilidade terminara a partir do momento que eu o vendera, aí fiquei descansado...
Anteriormente esqueci-me de dizer que dei o meu contacto à pessoa para o caso de ser necessário, depois desse dia recebi vários telefonemas dele a tentar que eu assinasse a declaração, sempre paciente lhe fui dizendo que não assinava nada. Não tão pacientemente fui avisando a Nacional Car que queria ver a situação resolvida, nunca vi tamanha destreza a descartar responsabilidades como das pessoas que me atenderam.
Foram-se sucedendo este tipo de episódios até que uns tempos volvidos, a pessoa voltou a apresentar-se em minha casa, eu não estava e ele tentava resolver o problema pois ia sair do país por alguns meses, por lapso a minha mãe deu-lhe o seu contacto em vez do meu (ele tinha perdido o meu número entretanto). Daqui para a frente a minha mãe recebia telefonemas periódicos sempre sobre o mesmo tema. Devo dizer que as pessoas que foram contactando comigo e com a minha família sempre foram correctas e educadas, nada disso está em causa.
Entretanto, o meu irmão informou-se na DGV e foi-lhe dito que tudo o que sucedesse com o carro era da minha responsabilidade, pois os documentos ainda estavam em meu nome, e que a única solução seria ordenar a apreensão do carro neste organismo que reeencaminharia o processo para a polícia, e que a partir do momento que entregasse esse impresso, a minha responsabilidade cessava. Assim o fiz, com a esperança que o carro fosse apreendido e as entidades competentes procedessem à legalização do mesmo em conjunto com a pessoa que sempre de boa fé tentou resolver o problema.
Também me parece pertinente referir que do que entendi das conversas que fui mantendo, o carro depois de sair das minhas mãos, terá sido vendido pelo Stand a um "comercial" que por sua vez o vendeu a um particular, e terá sido esse particular a vender ao meu persistente interlocutor. Sendo assim, é da mais elementar justiça reforçar a ideia que a pessoa que me tem abordado foi a única a tentar legalizar os documentos!
Há aproximadamente um mês, a minha mãe recebeu novo telefonema, de um alegado inspector da PJ que teria o processo pendente nas suas mãos e se oferecia para se encontrar comigo para regularizar a situação... Entrámos em contacto com a delegação da polícia judiciária a que o alegado inspector disse pertencer, e foi-nos dito que tinham lá um inspector com esse nome. Ainda assim não me quis preocupar com isso pois esta abordagem me pareceu muito suspeita e deixei andar, alguns dias volvidos novo telefonema, também pacientemente o meu pai repetiu vezes sem conta o que eu disse para trás e aparentemente o inspector terá percebido pois disse que não estava por dentro dos pormenores do caso e que sendo assim eu não teria de me preocupar mais, desculpou-se pelo incómodo e despediu-se.
Quem leia pode ficar com a ideia que eu nunca falei com nenhuma destas personagens desta surreal estória, mas isso deve-se unicamente ao facto de eu estar sempre a trabalhar aquando destas abordagens.
Se vos escrevo hoje, é porque há cerca de meia hora tocaram á campaínha, a pessoa identificou-se como um agente da polícia da amadora que tentava solucionar o problema do peugeot que eu vendi! Abri a porta já em brasa. Quando o alegado agente chegou à minha porta, estava acompanhado pela primeira pessoa que me abordou, o comprador do carro, o "agente" mostrou-me a sua identificação, um brilhante distintivo que não faço ideia se é verdadeiro ou não, na minha inocência ou boa fé (esta é mesmo uma história cheia de "boa fé". Disse ser amigo do outro indivíduo e que estava apenas a tentar resolver o problema, uma vez mais traziam a declaração de venda para eu assinar, lá lhes expliquei várias vezes mais todo o processo, que liguei para a Nacional Car, que ordenei a apreensão do carro, que não assinava nada, sempre com uma paciência de santo. A conversa foi sempre cordial e o "agente" lá tentou explicar ao comprador que eu não posso fazer nada, que não posso estar a assinar uma declaração depois de ter vendido o carro e ainda mais depois de ter dado ordem de apreensão. Ele não percebeu muito bem, mas lá foram embora dizendo que iam ao Stand para pedir a identificação do "comercial" que comprou o veículo, para este apresentar a malfadada declaração de venda que ninguém sabe onde pára. Ou muito me engano ou este caso não fica por aqui.
No início deste texto disse que possivelmente falhei nalgum aspecto, talvez o tenha feito pois sou leigo no que toca a vender carros, talvez devesse ter sido eu a tratar de passar os documentos para o nome do Stand, não sei se é assim ou não. Sei isso sim, que isto se deve a um pormenor muito simples, os stands não procedem à alteração para evitar uma maior acumulação de registos. Isto é óbvio.
Quero aqui alertar para outra questão, também a minha cunhada teve um problema semelhante com o mesmo stand quando vendeu o seu carro, nesse caso foi ainda pior pois estes artistas deram a terceiros o contacto do emprego da minha cunhada, isto é criminoso! Certamente centenas de carros estão na mesma situação, ainda hoje me alertaram que ao entrar em vigor a nova legislação que diz respeito ao Selo do Carro, no próximo ano muitas pessoas receberão em casa um selo de um carro que já venderam, e só aí ficarão a sabê-lo!
Uma sugestão, quem já passou pela situação de ter vendido carros a um stand, dê um salto à DGV e pergunte em que nome estão os documentos, é que pode ter uma desagradável surpresa...
Uma questão, pretendo apresentar queixa contra a Nacional Car, mas desconheço qual a entidade competente para receber essa reclamação, agradeço que me esclareçam se o souberem. Desculpem o testamento, mas esta situação "makes me maaaaaddddd!!!"

Cavalo Ruço

Não me vou alargar em comentários, simplesmente, eu, Tiago, Vieira e Gonçalo, com a parca ajuda de Neto a tentarmos cantar o Cavalo Ruço. um tanto ou quanto desafinados...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Saber levar a vida

Hoje cheguei ao trabalho e das primeiras coisas que me disseram, foi a notícia de uma colega que tem a minha idade (25), que ontem saiu do trabalho para o Hospital com princípio de A.V.C. São tantas as histórias, como esta, que ao longo da vida nos vão provando a banalidade bem como a preciosidade da mesma, que me irrito por não saber vivê-la ao máximo, por não conseguir dar valor ao que de melhor a vida tem e colocar os problemas no seu devido lugar.
Há uns tempos comentei num Blog de uma amiga, http://gandafaltadar.blogspot.com/, um post que dizia o seguinte: “Perderam-se ontem, entre o nascer e o pôr do sol, duas horas de ouro, cada uma com sessenta minutos de diamantes. Não se oferece recompensa porque se foram para sempre...”Horace Mann; Ora bem, o meu comentário foi no sentido do que disse antes mas na verdade por muito que tente, continuo a ser a pessoa mais stressada/stressante que conheço, não consigo evitar enervar-me com pormenores insignificantes e perco demasiado tempo nestas 'avarias' que a vida passa-me ao lado.
Faço promessas para mim, dizendo que vou mudar, no entanto as mudanças são poucas, já que eu não o consigo fazer, espero que quem leia este post o consiga, pois com histórias da vida que nos chegam de pessoas que conhecemos ou os casos que por todo o mundo nos deixam as lágrimas no canto do olho e nos ferem o coração, não vale mesmo a pena levar isto muito a sério.
Aproveitemos o tempo que nos é dado, pois é certamente uma benção!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Any Given Day - Parte 8 - Final Cut

21.00 – Jon mergulha nas gélidas águas de Sesimbra, a temperatura tem algo a ver com uma ligação com as águas do pólo Norte ainda por explicar. 21.01 – Jon tenta avisar Tiago e impedi-lo de entrar na água mas o frio congelou-lhe as cordas vocais e é tarde demais 21.01.35 – Tiago sente o gelo trespassar-lhe os ossos! 21.03 – Jon tenta libertar-se de um pingoim que está chateado por Jon lhe ter aterrado em cima... 21.05 – O Francês acaba de fazer o esboço para o retrato robot de Cabra às autoridades. 21.10 – Josh começa a aquecer a grelha... 21.12 – Amuado por Jon e Tiago não me terem convidado, sigo para o bar para beber imperiais sozinho! 21.14 – Tiago e Jon regressam ao parque, sobríssimos. 21.15 – Jon tem as marcas do pingoim no pescoço... 21.16 – Depois de três imperiais regresso à tenda já grosso. 21.20 – Tiago abre as hostilidades, ou melhor, um SB 21.22 – Josh coloca o entrecosto na grelha. 21.23 – O parque pára para escutar os 3 a entoar Tudo o que eu te dou. 21.25 – As opiniões dividem-se, os homens atiram-nos com pedras, as esposas com roupa interior, Rosindo também... 21.30 – Provamos o melhor entrecosto que já nos passou pelos beiços. 21.35 – Lom está triste, todos os seus alvos já foram para a caminha... 21.40 – Cabra, Ota, Miguel e Becas recusam abrir as tendas a pedido do segurança do parque. 21.42 – O pessoal junta-se no bar, é hora de rumar à vila! 21.44 – Ao fundo da rampa estão várias caravanas de matrícula francesa, Pierre grita Alvorada mas rapidamente se lembra que assim os turistas não percebem e solta um destemido, Alvorée!!!!! 21.46 – Somos invadidos por um odor fétido e de decomposição avançada, Machine passa por nós com uma mochila por sinal pesada às costas. 21.50 – Passamos no Lobo do Mar, curiosamente não sentimos o cheiro, estranho... 21.55 – Chegamos à Vila! 21.58 – Lom e Kicas sentam-se no muro para iniciar mais uma noite de pesquisa... 22.00 – Vamos experimentar um novo bar, S-Bay... 22.07 – Becas pede o segundo seven. 22.10 – Um generation dos nossos conhecimentos aborda-me e pergunta o seguinte: “Pires, arranjas-me uma mortalha?” – nasceu o mito Pires sem E... 22.15 – Cabra esconde-se debaixo da mesa. 22.16 – Avistamos ao fundo da esplanada certa jovem rapariga, em tempos alvo de uma foto-montagem que também incluía Cabra... 22.20 – Nuno conta a primeira anedota da noite! 22.25 – Tiago indica o caminho do multi-banco a uma jovem escandinava. 22.28 – ANAAA!!!!! – pedimos uma rodada 22.35 – Joliseh declara o seu ódio eterno ao pingoim! 22.40 – Cabra jura que não tocou no Francês! 22.45 – Estou de birra, a Tuborg não está fresca. 22.50 – Vimos uma anormal concentração de polícia na vila... 22.53 – Miguel reafirma que não tocou no papel. 22.57 – Bambola liga-nos a avisar que teve de ir andando para Lisboa. 23.00 – Vamos dar uma volta pela vila. 23.05 – Alguém tem a triste ideia de fazermos a anual travessia da fortaleza, proeza que consiste em passar de um lado para o outro do forte, agarrados à parede do mesmo, sem cairmos na água. 23.07 – Lom é a primeira vítima. 23.09 – Cabra desiste, tira os sapatos e começa a correr pela água, quando chega ao outro lado repara que não tirou as meias. 23.11 – Sucumbo a escassos metros do objectivo. 23.12 – Tiago e Josh, fortíssimos no grib estão quase lá, falta apenas 1 metro. 23.13 – Curvaturas passeia à beira-mar. 23.13.02 – Tiago e Josh caem, estava quase, deve ter sido uma onda... 23.14 – Rita consola o esposo. 23.16 – Comemos um pastel de nata no Matateu; 23.18 – Ota acaba com o Stock de Tuborg no S-bay. 23.20 – O pessoal vai comer um cachorrão, faço birra e sento-me no muro! 23.25 – Rosindo passeia à beira-mar com um ar apaixonado. 23.26 – Lom junta-se novamente a Kicas, pede para irem dar uma volta pois está cansado de estar sentado. 23.30 – Decido experimentar um Lamborghini, o tal da experiência de Nobel. 23.33 – Tiago decide juntar-se a mim. 23.35 – Lom diz a Kicas que lhe apetece um copinho de sangria, Kicas abana a cabeça em desespero... 23.37 – Despejo tudo o que me vai na alma, ou no estômago... o muro da praia é palco de um dos mais terríveis espectáculos de canto gregoriano alguma vez testemunhado. 23.39 – Não vejo nada, apenas me chega o cavernoso som de Tiago que alguns metros atrás me imita e dá tudo de si. 23.41 – Já fui... 23.45 – Chegam duas holandesas ao pé de Kicas, Lom não está, ele tem de se desenvencilhar pelos seus meios... 23.47 – Miguel e Cabra esgotam a cerveja no S-Bay. 23.50 – Beto pede a Becas para parar de beber sevens ou terá de fechar mais cedo por falta de bebida. 23.51 – Alguém pega em mim e me deita no carro do Ota que tem duas misteriosas marcas no capot. 23.53 – Tiago diz a Saddam que não se importa de regressar a casa com ele de mota no dia seguinte... 23.54 – Josh está no parque, sentado numa cadeirinha a ver o que foi o seu jantar e algo mais escorrer parque abaixo, frase do próprio” cab.~. de entrecosto” (adaptação possível...)
23.55 – Josh jura que nunca mais bebe... 23.57 – As tais lá de baixo, Curvaturas, Melancia e a mãe e prateleiras chegam ao S-Bay para nos convidarem para dar um passeio à beira-mar. 23.58 – As roliças jovens abandonam o bar tristes pois era a última noite que passavam em Sesimbra e não encontraram nenhum de nós por lá... 23.59 – É verdade, a noite ainda é uma criança e já Lom está deitado e aniquilado na areia fria da praia. Não deveria Ter bebido aquele copo de sangria tão depressa!
E este foi um dia como tantos outros passados em Sesimbra, numas férias distantes...